Ah, os interesses!

O dilema da imprensa é escolher entre a utilidade pública e a preferência do público
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De um lado as manifestações, do outro um famoso reality show. Qual dos dois é mais importante de ser noticiado? Qual deles deverá ocupar maior tempo na TV e no rádio ou espaço no jornal? O que determina o valor jornalístico ou midiático deles? Basicamente dois interesses: o público e o do público.
 
A principal função da mídia é manter você informado sobre tudo o que acontece na sua cidade, estado, país e até mesmo no mundo. Notícias que influenciem seu cotidiano e que promovam o bem geral devem ser consideradas de prioridade máxima. Por exemplo, falar sobre a campanha de vacinação que ocorrerá na sua cidade, informar como está o trânsito, o tempo, e abordar assuntos como prevenção de doenças ou a má conservação das ruas. Essas são notícias de utilidade pública ou de interesse público.
 
Interesse do público é tudo aquilo que faz parte da preferência das pessoas. Alguns gostam de futebol, outros de vôlei e outros de skate. Uns preferem assistir à Globo, outros à Band ou TV a cabo. Cada programa tem um tipo de aceitação entre os indivíduos e isso é subjetivo. Você pode gostar de assistir aos documentários históricos, enquanto outros vão preferir filmes de ação. 
 
Mas o que a mídia tem a ver com isso? Bem, se ela tem como prioridade manter todos informados, mas cada um deles tem diferentes formas de procurar informação, então ela mescla em sua grade de programação, no caso da TV, produções que atraiam públicos de diferentes faixas etárias, classes sociais e preferências. O problema é que, por razões mercadológicas, os meios de comunicação tendem a gastar mais tempo e espaço com conteúdo de interesse do público, e não de interesse público. 
 
Vamos a um exemplo sobre essa tensão. Nas últimas semanas, as notícias sobre os protestos invadiram a mídia. Todos os dias saíram inúmeras reportagens sobre as manifestações, e o veículo de comunicação que não pautasse as mobilizações era acusado nas redes sociais de negar informação importante. Evidentemente, foi preciso que alguns assuntos saíssem de cena para dar lugar às manifestações. 
 
Para o grupo que está engajado nos protestos ou se simpatiza com eles, a pauta é de interesse público. Afinal, para o “gigante acordar”, todos precisam conhecer e apoiar as causas reivindicadas. Por outro lado, para o grupo que não se interessa pelo assunto ou acha que isso não vai dar em nada, essas notícias cansam e ele torce para que outras pautas sejam veiculadas. E aí, qual desses grupos está certo? 
 
Do ponto de vista dos ideais que fundaram o jornalismo, a pauta deve priorizar os interesses do primeiro grupo. Independentemente se você apoia ou não, acredita ou não no poder transformador das mobilizações, elas são de interesse público. Isso é um fato. O mesmo já não pode se dizer sobre a venda do Neymar para o Barcelona ou o fim do namoro do jogador Pato com a filha do Berlusconi. 
 
Como mais um dever de casa, gostaria de ter sua avaliação sobre a cobertura da imprensa a respeito dos protestos do mês passado. Qual lado teve mais espaço? Qual emissora de TV ou rádio foi mais imparcial? Poste sua resposta nos comentários dessa coluna e vamos juntos fazer uma análise da mídia, ok? Até a próxima.
Autor: Daiana Moreira - Publicado em: 12/07/2013 - Fonte: