Quem decide?

O papel da linha editorial na escolha dos conteúdos
© ronstik / Fotolia
A mídia tem um importante papel na sociedade: apresentar os fatos, conectar você com os mais diversos assuntos e lhe proporcionar a oportunidade de decidir, por você mesmo, de que lado ficar. No último texto, você ficou por dentro dos caminhos que a informação percorre até chegar às suas mãos, e quais critérios devem ser levados em conta na hora da apuração e escrita da matéria. 
 
Então, se as publicações devem seguir a lógica de serem úteis, relevantes e imparciais, por que, às vezes, ao ler ou assistir a uma reportagem parece que falta alguma coisa? Ou parece que nem tudo foi dito e nem todos os lados tiveram o mesmo espaço para darem sua versão?
 
Agora que você já conhece, em partes, o processo, vamos fazer uma pequena análise de como é feita a designação de pautas para o dia. Você já sabe que o tema precisa preferencialmente ter ineditismo, mas também deve ser coerente com os valores defendidos pelo veículo. Portanto, quem decide o que é ou não importante para ser apurado, dito e publicado? Quem julga o que você e sua família precisam saber? 
 
Todo jornal visa a ser imparcial. Esse é um dos ideais do jornalismo. No entanto, os profissionais não possuem espaço suficiente para falar tudo sobre todos os assuntos. O espaço é contado! Portanto, os editores do veículo de comunicação escolhem os conteúdos que julgam ser mais interessantes e impactantes. Os indispensáveis.
Bem, vamos a um exemplo simples. Lembra-se do buraco da sua rua? Suponhamos que sua família faça parte da associação dos moradores do bairro. Quando o jornalista chegou, o presidente da entidade contou que, além das reclamações dos moradores, ele esteve pessoalmente na prefeitura formalizando o pedido. 
 
Mas, o prefeito negou essa afirmação e disse que a situação não era tão grave. O repórter fez seu trabalho e, quando voltou à redação, descobriu que a reportagem sobre o buraco da Rua 15 não será mais publicada, pois aconteceu uma coisa mais importante. Tem um buraco na Rua 20 e é ela que dá acesso à Rua da Câmara de Vereadores. Por esse motivo, a pauta anterior “caiu”.
 
Ok, vamos aos fatos. Existem dois buracos e os dois apresentam perigo para os usuários. Ambos podem prejudicar inúmeros carros e pedestres. Mas então por que não noticiar os dois? Nesse ponto entra o espaço disponível para divulgar e o julgamento da importância do tema. Logo, os editores precisam escolher entre a Rua 15 ou a Rua 20. Se fosse você o dono do jornal, qual escolheria? Quais critérios usaria?
 
É nesse momento que muitos veículos de comunicação pecam ou são condenados pela população. Quando se chega a esse impasse, entra em cena a política, os interesses e os valores defendidos pelo veículo e, sim, qual delas dará maior repercussão. Não pense ser essa uma decisão fácil de tomar ou que é feita com a intenção imediata de privilegiar um grupo. Pode ser que sim, mas não é a regra. 
 
A questão é: fiel a que propósito o jornal quer permanecer? É nesse instante que muitos acusam a mídia de parcial e manipuladora. Até porque essa escolha pode acarretar grandes consequências na política, economia e no cotidiano da sociedade. Quem nunca ouviu uma notícia fake, mas que causou um rebuliço em todos?
 
Para aguçar sua curiosidade, e como dever de casa, assista ao vídeo sobre as manifestações das Diretas Já, movimento que marcou a transição do regime militar para a democracia no Brasil. Existem muitas histórias sobre a cobertura da imprensa. Fala-se, por exemplo, que a Rede Globo teria feito boicote, em janeiro de 1984, e fechado os olhos para as mobilizações ocorridas em várias localidades do país.
 
A imprensa, como já disse, tem papel fundamental na sociedade e sabe do seu potencial e responsabilidade, mas vive em constante xeque. No próximo texto, vou apresentar a diferença entre interesse público e interesse do público, e como os posicionamentos a partir desse conceito influenciam as pautas.
Autor: Daiana Moreira - Publicado em: 12/06/2013 - Fonte: