Tudo junto e misturado

A ligação entre jornalismo e entretenimento está cada vez mais forte
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O jornalismo tem passado por várias mudanças. Da plataforma de atuação à linguagem, do modo de fazer ao de vender. Tudo visando a acompanhar as transformações da sociedade. Mas uma das transformações que parece ter grandes implicações éticas é o afeiçoamento do jornalismo ao conteúdo de entretenimento.

Essa tendência parece que veio para ficar. Não se limita aos programas dominicais de TV, está presente nos telejornais e jornais mais importantes do país. A saída da jornalista Fátima Bernardes, por exemplo, da bancada do Jornal Nacional, para ter “mais espaço” em um programa de formato mais solto, e voltado para o entretenimento, pega carona nessa onda. Jornais e portais online têm aos poucos, ou não, incorporado em suas páginas assuntos com pouca relevância pública.

Um exemplo dessa miscigenação é a editoria F5, do portal da Folha de S.Paulo, um espaço dedicado ao mundo das celebridades, um tema que raramente é de interesse público, mas figura entre os de maior interesse do grande público. A nova tatuagem da cantora, a balada que o jogador X participou, ou o tamanho da saia da filha da atriz famosa viram notícia e ganham repercussão como se fossem tão importantes (ou mais) do que as questões coletivas da sua cidade.

Mas se o ideal do jornalismo é transmitir conteúdo de relevância pública, por que os veículos tradicionais têm cedido espaço para o entretenimento? A resposta mais natural parece ser interesses mercadológicos. De olho na audiência, tiragem e vendas, boa parte da imprensa dá ouvidos ao gosto dos seus clientes.
 

Talvez seja uma desilusão constatar que a imprensa, às vezes, se rende ao lucro e abre mão de seus ideais. Mas, vale lembrar que como qualquer empresa, os veículos de comunicação precisam sobreviver e nem sempre suas opiniões ideológicas garantem sua folha de pagamento. É natural pensar que o lucro faz parte de qualquer organização comercial e que, para conquistá-lo, é preciso entender as demandas de consumo do seu público-alvo. No entanto, do ponto de vista ético, não deve se encarar o sacrifício do relevante pelo superficial como algo natural e inevitável.
 

Um grupo de pensadores afirma que essa postura da mídia é um desvio dos ideais sobre os quais o jornalismo foi inventando. Eles defendem que um dos principais papéis da mídia é educativo, de elevar o nível cultural e moral de sua audiência. No próximo texto, discutiremos qual é o papel da imprensa: educar a sociedade ou repercutir o que ela gosta. Até a próxima!

Autor: Daiana Moreira - Publicado em: 25/09/2013 - Fonte: