Sempre alerta

A vigilância pela liberdade religiosa também tem levado milhares às ruas
William de Moraes
Quem está acompanhando as últimas mobilizações do país, deve ter visto que, entre os milhares de cartazes com frases de protesto, alguns deles eram a favor da liberdade religiosa e de expressão. Será que estamos perdendo nossa liberdade ou o preço dela é essa vigilância? 
 
E não me refiro, nesse momento, às manifestações recentíssimas que chamaram a atenção do mundo, mas a outras, não menos numerosas e não menos recentes, como a que foi promovida por religiosos, em Brasília, no dia 5 de junho. O ato público pró-família, pró-liberdade de expressão e pró-liberdade religiosa reuniu mais de 30 mil pessoas.
 
Faço referência também ao Festival Mundial de Liberdade Religiosa (foto), organizado pela International Religious Liberty Association (IRLA), no dia 25 de maio, num dos mais significativos e emblemáticos pontos da cidade de São Paulo, o Vale do Anhangabaú. Lá, mais de 10 mil pessoas celebraram a liberdade religiosa e mostraram uma atitude em relação a esse direito básico.
 
A pergunta que fica é por que recentemente esse assunto tem sido tão discutido? É preciso pensar sobre isso. O que seria viver sem essa nota tônica a soar: liberdade de crença e religião? 
 
Pergunte para os milhares de pessoas que estão sofrendo a dor das restrições religiosas em mais de 30 países. Muitos não podem deixar suas casas para ir livremente a um local de culto e adorar sua divindade. Apenas quem sofre ou já sofreu alguma espécie de intolerância religiosa, por menor que seja, como “pequenos” insultos à sua religião, pode entender bem o que estou dizendo.
 
Há poucos dias, a mídia noticiou que um jovem foi prestar vestibular em uma das maiores universidades do Brasil e foi obrigado a retirar o turbante que usa como parte de uma obrigação religiosa. Além disso, ele foi constrangido a não ir ao banheiro durante a prova e a esperar que todo o prédio fosse esvaziado para deixar então o local da prova, numa clara demonstração de intolerância religiosa.
 
Sobre esse caso e outros tantos, quero sempre crer que a ignorância – simbolizada pelo desconhecimento da importância do tema e das garantias legais que nos protegem nesse país – leva muitos agentes dos setores públicos e privados a praticar verdadeira violência contra o sentimento religioso dos cidadãos. 
 
É por isso que essa coluna pretende apresentar seus direitos e ajudá-lo a esclarecer outros, a fim de que exerçam sua cidadania plena. O que inclui poder aceitar uma religião, mudar de crença e praticar livremente uma fé sem ser privado de outros direitos por essa razão.
Autor: Damaris Moura - Publicado em: 27/06/2013 - Fonte: