A máquina não pode parar

Para o mercado não há limites para o consumo. Para seu bolso, sim
© hin255 / Fotolia
Não é de hoje que se discutem os impactos do consumo nos indivíduos e nos sistemas de produção e distribuição. Na verdade, essa é uma reflexão indispensável para os que vivem na sociedade de consumo, na qual tudo se compra, tudo se vende, tudo chega rápido, tudo muda constantemente, tudo é acessível e abundante – pelo menos do ponto de vista da oferta. 
 
Mas comprar pode se tornar perigoso? Pode ser excessivo, virar um vício ou até mesmo uma epidemia social? Vamos começar a entender o funcionamento desse sistema e seus perigos compreendendo o processo de compra. 
 
A partir da revolução industrial, os produtos passaram a ser fabricados pela lógica da produção, ou seja, da capacidade de se fazer mais em menos tempo, e não da real necessidade dos consumidores. Muitas vezes, o mercado – grupo de indivíduos com potencial de compra – sequer percebe determinada “necessidade” de consumo até que a publicidade lhe apresente um produto ou serviço sem o qual ele não pode viver.
 
Por isso, as estratégias de marketing e a influência da publicidade passaram a desempenhar papel fundamental no processo de compra, ajudando quem vende a apresentar discursos que mostrem tanto os aspectos utilitários dos bens como seus valores simbólicos. 
 
Esse sistema de hiperestimulação às compras sistematizado pelo marketing e sugerido pela propaganda trouxe, sim, um problema relacionado ao ponto ideal de consumo de cada um. Esse contexto leva à pergunta: Quando ou quanto é necessário que cada um compre para que se sinta bem? 
 
Do ponto de vista do mercado não existe um limite, porque a produção precisa continuar. Logo, como os anunciantes não estão preocupados com a saúde do seu bolso, é você (consumidor) que precisa encontrar o próprio ponto de satisfação. Para isso, é necessário que você identifique suas limitações financeiras (quanto gastar), o momento ideal (quando gastar) e a motivação adequada (realmente preciso disso?). 
 
Cada um precisa analisar a utilidade objetiva da compra e se aquele gasto vai contribuir para a construção do seu futuro. Como diz Lívia Barbosa, em seu livro Sociedade de Consumo: “Seu bem-estar [dos consumidores], sob o ponto de vista social, em muito depende do seu poder de consumo de objetos que transpõem ou se desvinculam de qualquer valor pragmático ou instrumental” (p. 46). 
 
E como esses “sonhos de consumo” estão bem ao seu lado, disponíveis a qualquer momento e facilitados pelo crédito abundante, é fácil perder o controle. Logo, o consumo pode, sim, ser excessivo. Cabe a você controlar sua vida e determinar comprar aquilo que realmente precisa. Fica o conselho: “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: ‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’” (Hb 13:5, NVI). 
Autor: Martin Kuhn - Publicado em: 29/05/2013 - Fonte: