Ambientalista por profissão – parte 2

O que faz o biólogo?
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Acho que nunca esquecerei minha primeira aula de Biologia. Assim que entramos na sala, o professor escreveu na lousa: bios, do grego, vida + logos, do grego, estudo. “Então”, concluiu ele: “Biologia é a ciência que estuda os seres vivos.”

“Puxa vida!”, pensei, “a Biologia estuda tudo então?!” Eu estava na oitava série e tinha 12 anos. É claro que meu primeiro contato acadêmico com a Biologia já tinha acontecido na famosa disciplina de Ciências, que também contempla vários tópicos sobre os seres vivos. Hoje, posso afirmar que a Biologia não estuda tudo, mas quase tudo.

O curso de Ciências Biológicas é uma excelente opção para aqueles que estão indecisos sobre qual carreira acadêmica seguir e que têm afinidade com as causas do meio ambiente, conservação da natureza e sustentabilidade. Isso porque a área de atuação do biólogo é vasta.

A Biologia se dedica a estudar a vida, em seus mais diversos aspectos, formas e níveis de interação, incluindo também os seres humanos. Por exemplo, se alguém se interessa por animais, encontrará na Zoologia o que procura, desde pequenos seres, como os insetos, até os maiores, como as baleias e os já extintos dinossauros (objeto de estudo da Paleontologia). Se alguém se interessa por plantas, encontrará na Botânica o que procura, desde as diminutas flores e ervas até as mais altas árvores.

Isso porque as Ciências Biológicas se dividem em grandes ramos. Além dos que já mencionei, temos a Microbiologia (estudo dos microrganismos), a Citologia (estudo das células), a Genética (estudo dos genes e da hereditariedade) e a Fisiologia (estudo do funcionamento físico e bioquímico dos seres vivos), somente para citar alguns.

O biólogo pode trabalhar em uma escala microscópica (e até mesmo atômica), como nos ramos da Biologia Molecular, Citologia, Histologia e Genética. Pode atuar no ramo da Biotecnologia, que é uma forma de utilização de organismos vivos para a produção de bens e alimentos, ou na área de Imunologia, que estuda o sistema imunológico dos seres e suas relações com doenças, por exemplo. Mas, também pode trabalhar em nível de populações, como no caso da Biologia da Conservação e Etologia (estudo do comportamento animal), que também estão relacionadas com a Ecologia.

Também faz parte dessa ciência o estudo da tão comentada Biologia Evolutiva, que trata da origem e descendência das espécies, com a famosa teoria da evolução. Mas vou deixar esse tema para o blog Origens, aqui mesmo do site, do colunista Michelson Borges.

O curso de graduação em Ciências Biológicas dura entre três e cinco anos e divide-se em licenciatura e bacharelado. Os licenciados são formados basicamente para atuar como professores de Ensino Médio, Básico e Fundamental, ao passo que os bacharéis são habilitados para as demais atuações não escolares. Independentemente da habilitação, os biólogos devem se registrar no Conselho Regional de Biologia mais próximo, para o efetivo exercício legal da profissão.

São muitas as instituições que oferecem o curso de graduação em Ciências Biológicas no Brasil, sejam particulares ou públicas. De acordo com o interesse do candidato, é importante verificar se a instituição em que se está pretendendo ingressar oferece o curso na forma de licenciatura, bacharelado ou ambos. Em qualquer caso, os graduandos farão muitas disciplinas nas áreas de Biologia e Química e, em menor escala, nas áreas de Física e Matemática (incluindo Estatística). Na licenciatura, também é dado o enfoque nas áreas de Didática, Psicologia e Filosofia.

Puxando um pouco a sardinha (que na língua dos biólogos pertence à família dos clupeídeos) para o tema do nosso blog, vou falar um pouquinho de duas iniciativas interessantes nas quais a atuação de biólogos (e outros profissionais) é fundamental.

O primeiro deles, aplicado à fauna, é o Projeto Tamar, uma parceria público-privada que, desde a década de 1980 vem atuando na pesquisa, manejo e conservação da vida marinha na costa brasileira, com enfoque especial nas tartarugas. O segundo, aplicado à flora e à fauna, é a Fundação SOS Mata Atlântica, criada em 1986 com o objetivo de lutar pela conservação das espécies do remanescente do bioma Mata Atlântica, estendendo também sua área de atuação para os ecossistemas costeiros e a educação ambiental.

Em resumo, o estudo das ciências biológicas é simplesmente fascinante e trabalho é o que não falta para os atuais e futuros biólogos interessados nas causas da sustentabilidade.

Para saber +

Conselho Federal de Biologia cfbio.gov.br
Projeto Tamar – tamar.org.br
Fundação SOS Mata Atlântica – sosma.org.br

Autor: Djeison Batista - Publicado em: 11/06/2014 - Fonte: