Ambientalista por profissão – última parte

O que faz o engenheiro ambiental?
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A palavra “ambiental” tem um significado bastante simples, mas ao mesmo tempo muito abrangente: de e/ou relativo ao ambiente. Ultimamente, essa palavra se tornou lugar-comum, em todos os níveis da sociedade, que está cada vez mais alerta aos problemas ambientais. Principalmente em tempos de aquecimento global e desabastecimento de água potável, que são problemas que atingem a todos de forma muito direta.

Encerrando a série de posts “Ambientalista por profissão”, escolhi a profissão que atende melhor, em minha opinião, aos anseios daqueles que desejam fazer da causa da sustentabilidade o seu meio de vida: a engenharia ambiental, também conhecida como engenharia ambiental e sanitária.

O curso de Engenharia Ambiental no Brasil é relativamente recente, em comparação com outras engenharias mais tradicionais. Foi criado pela publicação da Portaria do Ministério da Educação e do Desporto nº 1.693, de 5 de dezembro de 1994. Atualmente existem dezenas de cursos de Engenharia Ambiental oferecidos no Brasil, nas mais diversas instituições públicas e privadas.

A formação desses profissionais dura em média cinco anos, e tem muita relação com a Engenharia Civil. Isso significa que é um curso muito concorrido e que possui um ciclo básico muito forte e voltado para as disciplinas de Matemática e Física. Portanto, para entrar nessa carreira é preciso mais do que amor pelo meio ambiente e o idealismo de defender os recursos naturais; é necessário ter grande vocação para as ciências exatas, incluindo a química. Ao fim do curso, os formados devem se registrar no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) para receber a habilitação legal para o exercício da profissão.

Para os interessados em sustentabilidade, que é um dos enfoques deste blog, a engenharia ambiental (como a engenharia florestal) é uma excelente opção de carreira. O que diferencia grandemente as duas profissões, em minha opinião, é que o engenheiro ambiental atuará nitidamente na mitigação dos impactos causados pelo homem no ambiente urbano, durante a utilização dos recursos naturais. Já o engenheiro florestal terá uma atuação mais direta na mitigação dos impactos causados pelo homem no ambiente natural, como as florestas, por exemplo.

Destaca-se que ambas as carreiras têm alguma sobreposição de atribuições profissionais, e haverá engenheiros ambientais atuando nas florestas e engenheiros florestais trabalhando nas cidades. Outro fator que também deve ser considerado para que essa comparação não pareça simplista demais, é que o que hoje chamamos de cidade (ou ambiente urbano) um dia já foi um ambiente natural, e que muitos elementos deste estão presentes naquele, como os rios, por exemplo.

Os Engenheiros Ambientais possuem sólida formação nas áreas de biologia (incluindo a ecologia), geologia, climatologia, hidrologia, hidráulica, cartografia, recursos naturais, poluição ambiental, impactos ambientais, sistemas de tratamento de água e resíduos, legislação e direito ambiental, saúde ambiental, planejamento ambiental, sistemas hidráulicos e sanitários, além das já mencionadas matemática, física e química.

Vale destacar que a formação dos egressos é bastante abrangente, em projetos estreitamente ligados com o manejo, conservação dos recursos naturais, e minimização dos impactos ambientais causados pelo homem. Tudo isso torna a carreira de Engenharia Ambiental muitíssimo interessante. Porém, eu gostaria de destacar duas áreas que estão prestigiadas atualmente, seja para atuação em órgãos públicos, empresas privadas, ONGs ou consultoria particular.

A primeira é o manejo de resíduos sólidos, o famoso “lixo”. Compete aos engenheiros ambientais o gerenciamento da destinação adequada, reciclagem e reutilização do lixo nas centrais de tratamento de resíduos (CTRs). O Brasil ainda é alvo de críticas internacionais por causa dos chamados “lixões”, que são meros depósitos de lixo a céu aberto, nos quais homens, mulheres, crianças e animais disputam o lixo para seu sustento.

O desafio é acabar com os “lixões” e implantar CTRs para o manejo e destinação racional e sustentável desses resíduos sólidos. Mas não é só isso, porque o engenheiro ambiental também é especialista na solução e controle de toda forma de poluição da água (rios, mares, lagoas, etc.), solo e atmosfera. As empresas privadas têm uma demanda grande por esse profissional para a gestão dos resíduos resultantes de suas atividades de industrialização.

Outra atuação de destaque dos engenheiros ambientais é o gerenciamento de redes de distribuição de água e tratamento de esgoto doméstico e industrial. Essa atuação é chave, ainda mais neste ano que temos vivido um período de seca muito grande no Sudeste. Vale lembrar que água é vida, e o acesso da população a esse recurso com regularidade e qualidade é fundamental. Outro aspecto é o desafio do tratamento do esgoto, em especial o doméstico, em que grande parte da população brasileira ainda não dispõe desse serviço.

Destaca-se que o esgoto a céu aberto é um grande causador de doenças, principalmente nas regiões urbanas mais carentes, fazendo do engenheiro ambiental um grande ator também na saúde pública. Concluindo, já que acabamos de passar pelas eleições, não adianta aumentar a quantidade de hospitais, remédios e médicos disponíveis à população; é necessário que os governos se preocupem mais em prover ao povo serviços ambientais de qualidade. São eles que evitam inúmeras doenças estreitamente associadas ao descaso com o tratamento racional do lixo, da água e do esgoto.

Para mais informações sobre a profissão, entre em contato pelo blog e/ou acesse os sites oficiais da Associação Nacional de Engenheiros Ambientais e da Executiva Nacional dos Estudantes de Engenharia Ambiental.

Autor: Djeison Batista - Publicado em: 04/11/2014 - Fonte: