Plástico ou papel?

Tão importante quanto escolher o material mais sustentável é diminuir o consumo
© sablin / fotolia
Recentemente, numa visita à padaria, percebi que o pacote dos pães havia mudado: estava repleto de logomarcas das lojas do comércio da cidade, como forma de propaganda. Na embalagem, próximo aos logotipos, acabei encontrando informações da empresa fabricante que dizia algo mais ou menos assim: “Essa embalagem contribui com a minimização da poluição do meio ambiente, porque não é feita de plástico.”
 
Acredito que você já deva ter lido algo parecido em algum lugar. Isso me fez lembrar de outra frase famosa, que costuma vir no rodapé de alguns e-mails que recebo: “Antes de imprimir, pense em sua responsabilidade e compromisso com o meio ambiente.” E agora pergunto, qual dessas mensagens está correta: a que coloca o papel como uma vantagem da sacola ou a que desestimula a impressão do e-mail?
 
Na verdade, o discurso de ambas as frases gira em torno de um ponto principal: o consumo consciente de papel. Vamos analisar isso por parte. Primeiro, a embalagem de pão. Há uns 20 anos, quando era criança, raramente se embalavam pão e qualquer outro produto com sacolas plásticas. Contudo, com o passar dos anos, o plástico substituiu o papel e quase tudo agora vem embalado nele. 
 
Os principais argumentos apresentados pelos ambientalistas contra as embalagens plásticas são: a grande quantidade produzida anualmente; o elevado potencial poluidor, porque é um material de difícil degradação; além de ser um material não sustentável, porque é produzido de derivados de petróleo. 
 
Essas características fazem das sacolas e demais objetos plásticos grandes poluidores, independentemente do bioma e localização geográfica em que sejam produzidos e descartados. Todos sabem, por exemplo, como a fauna marinha e sua cadeia alimentar têm sofrido com a poluição por objetos de plástico. Você também já deve ter visto uma sacola voando por aí...
 
Atualmente, algumas empresas têm investido em pesquisa para tornar as sacolas plásticas mais degradáveis no ambiente, o que diminuiria bastante a poluição por esse material. Apesar desses esforços, concordo com a opinião do fabricante da embalagem de pão, que entre uma sacola de plástico e de papel, optaria pela última. 
Até porque a maioria das sacolas plásticas que recebemos no comércio ainda não é fabricada com a tecnologia que facilita a biodegradação. A razão? As biodegradáveis costumam ser mais caras. Nesse ponto, o papel ganha de goleada do plástico, porque é um material biodegradável e produzido a partir de uma fonte sustentável, a celulose oriunda da madeira. 
 
Quanto à discussão sobre a segunda frase, vou deixar para o próximo post, porque é um tema muito interessante também. Vale finalizar com a reflexão de que, independentemente do material, a quantidade de sacolas ou de embalagens que são produzidas anualmente está mais relacionada ao nosso padrão de consumo excessivo e estimulado pela propaganda, do que com nossas necessidades.
 
Dessa forma, a quantidade de resíduos sólidos produzidos será cada vez maior, fazendo com que a reciclagem e reutilização sejam indispensáveis. Nesses pontos, tanto plástico quanto papel são materiais com grande potencial. 
 
Lembro-me de quando era criança (mais uma vez), que nossa família fazia compras com grandes sacolas de tecido, que eram carregadas em carrinho de mão... Era um modo de vida mais simples, que tende a não retornar mais, eu sei. Contudo, seguramente, era mais sustentável. Hoje, essas sacolas receberam o nome de “retornáveis” e a utilização delas é uma alternativa muito interessante em favor da sustentabilidade e da minimização da poluição.
 
Para terminar: o engraçado, para não dizer irônico, é que na padaria em que costumo frequentar, as embalagens de papel dos pães são entregues para os clientes dentro de sacolas plásticas, para facilitar o carregamento. Vai entender...
Autor: Djeison Batista - Publicado em: 13/09/2013 - Fonte: