A vingança nunca é plena...

Os bastidores da destruição de Jerusalém e o aviso de Cristo
Erika Camargo
A alguns metros do Arco de Constantino, encontramos outro monumento muito importante, o Arco de Tito. Esse marco aponta para a vitória do império romano na primeira guerra contra os judeus, que culminou com a destruição do templo e da cidade de Jerusalém. 
 
Nele estão representadas imagens de Tito, o conquistador, e dos soldados trazendo diversas pilhagens, entre elas um enorme candelabro ou menorah. Essa é, possivelmente, a única imagem que possuímos feita por testemunhas do candelabro de ouro que iluminava o segundo compartimento templo de Jerusalém. Assim, esse arco confirma a historicidade da descrição bíblica sobre esse item do santuário, além de apontar para o cumprimento de uma profecia de Jesus. 
 
Não sabemos com certeza quais foram as razões que deram início a esse conflito entre judeus e romanos. A maior parte das informações que possuímos vem de um dos comandantes judeus que passou a apoiar os romanos: Flávio Josefo. Ao que parece, tudo começou por causa de supostos desrespeitos para com as tradições judaicas. Como reação, alguns hebreus teriam se manifestado contra o imperador e seus impostos. 
 
Na sequência, o governador romano da época, ano 66, teria respondido com uma forte repressão, o que acabou sendo a gota d’água para que judeus nacionalistas pegassem em armas e rapidamente dominassem as tropas romanas que atuavam em Jerusalém. A guerra tinha começado.
 
Tomando ciência da rebelião na Judeia, o general romano responsável pela segurança na região da Síria, Caio Céstio Galo, reuniu um exército de 30 mil homens a fim de pacificar a Judeia. Ele conquistou a Galileia, marchou com seus homens até a muralha externa de Jerusalém e sitiou a cidade. Contudo, após cinco dias, o general Céstio simplesmente ordenou que o cerco fosse desfeito e os romanos iniciaram uma retirada. 
 
Essa decisão misteriosa de Céstio levou a uma das mais vergonhosas derrotas romanas da história. Uma vez que eles saíram em retirada, foram perseguidos pelos rebeldes e mais de 6 mil soldados foram mortos. Além disso, os judeus tomaram o estandarte-símbolo da 12ª legião romana. 
 
Essa ocasião (o fim do cerco romano), foi encarada pelos cristãos que moravam em Jerusalém como o momento perfeito para fugir de Jerusalém. Jesus havia orientado nesse sentido: “Quando virem Jerusalém rodeada de exércitos, vocês saberão que a sua devastação está próxima. Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes, os que estiverem na cidade saiam, e os que estiverem no campo não entrem na cidade” (Lc 21:20, 21).
 
Embora os judeus tenham vencido os romanos nessa ocasião, a vitória apenas deixou seus inimigos com mais sede de vingança. Nero encarregou o general Vespasiano de acabar com a revolta dos judeus, o que ele fez reunindo 70 mil homens. O general fez cuidadoso progresso em suas conquistas até se aproximar das muralhas de Jerusalém. 
 
Ali chegando, em julho de 69, não se apressou em dominar a cidade, uma vez que ela já estava sofrendo os efeitos da fome e da guerra civil. Nesse meio tempo, com a morte do imperador Nero, Vespasiano foi aclamado imperador por suas tropas e retornou à Roma para consolidar seu poder deixando o cerco de Jerusalém nas mãos de seu filho Tito.
 
Sob a liderança de Tito, diversas tentativas foram feitas para negociar a rendição da cidade, tanto por meio do terror, com milhares de crucifixões ao redor da cidade, como por meio da diplomacia. Contudo, mesmo assim isso não foi o suficiente para impedir a iminente destruição da cidade. Atacados por rebeldes judeus durante uma noite, os soldados romanos em sua fúria atearam fogo no templo, apesar dos esforços de Tito para preservar o lugar sagrado. 
 
Apesar da vitória, Tito não aceitou receber os méritos pela conquista militar. Ele declarou ter sido apenas instrumento da ira divina. Destruição predita por Cristo, quarenta anos antes do cerco de Jerusalém: “O céu e a Terra passarão, mas as Minhas palavras jamais passarão” (Lc 21:33).
Autor: Matheus Grillo - Publicado em: 01/10/2013 - Fonte: