Enquanto o rei estava fora

Achados arqueológicos que apontam para a queda de Babilônia
Arquivo pessoal

É verdade que o questionamento faz parte do espírito científico e estimula a humanidade a chegar a melhores respostas sobre o mundo que a cerca. Mas, por vezes, quando aplicado à Bíblia, esse tipo de procedimento leva a algumas situações constrangedoras para os céticos.
 

Um dos exemplos emblemáticos disso são as evidências da queda do império neobabilônico, conforme descrita no livro bíblico de Daniel. Cerca de 70 anos depois de ter conquistado a Judeia (604 a.C. - 538 a.C.), o reino construído por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor chegou ao fim. Décadas antes de nascer o imperador persa Ciro, o profeta Isaías, no capítulo 45 do seu livro, já havia predito que o imperador persa invadiria Babilônia. Daniel 5 relata como foi essa conquista sem batalha.
 

Pois bem. Durante muito tempo, os céticos na Bíblia achavam essa história fantasiosa demais para ser verdade. Só que em 1879 um grupo de arqueólogos a serviço do museu britânico encontrou um cilindro muito interessante (na foto, uma réplica do cilindro exposta no Museu Paulo Bork do Unasp, campus Engenheiro Coelho). Provavelmente, essa peça tenha sido rolada sobre uma superfície de argila fresca, imprimindo assim uma declaração de Ciro, na qual ele registrava sua conquista de Babilônia. Essa “tecnologia” de impressão com o cilindro era bem comum na Mesopotâmia antiga. Legal, não?
 

Naturalmente, o cilindro descreve como o rei de Babilônia foi um sujeito mau e como Ciro foi bom. Mas o interessante é que ele conta que Babilônia foi tomada sem batalha, que Ciro e os persas foram bem recebidos pelo povo e que Ciro permitiu que povos estrangeiros cativos voltassem para suas terras, levassem as coisas dos seus deuses e reconstruíssem seus respectivos templos. E como se isso ainda não fosse o bastante, Ciro registrou que foi chamado para aquela missão pelo deus Marduk, em virtude do mau comportamento de Nabonido, rei de Babilônia. Será coincidência com o relato bíblico?
 

Ainda assim, alguns se levantaram dizendo que essa narrativa aparece na Bíblia descrita de maneira precisa porque o livro de Daniel teria sido escrito não no 6º século a.C, mas no período helenístico (3º ou 4º século a.C). Os céticos afirmavam não ser possível que Daniel estivesse presente na queda de Babilônia.
 

Mas outra descoberta arqueológica, do mesmo período, parece reforçar a confiabilidade da Bíblia. O livro de Daniel conta que Belsazar reinava em Babilônia quando a cidade foi tomada pelos persas. Essa informação soava incoerente, porque na linhagem babilônica era o pai de Belsazar, o rei Nabonido, que aparecia listado.
 

Porém, outro tablete com inscrições veio ao conhecimento do público, e com ele surgiram novas informações históricas. O documento conhecido como Crônicas de Nabonido menciona que o rei havia confiado o reino ao filho, enquanto Nabonido tinha viajado para a cidade de Temã, na Arábia. Como alguém, séculos mais tarde, teria tido acesso a essas informações tão pormenorizadas que não eram do conhecimento nem dos historiadores gregos da época?

A conclusão mais óbvia é a de que Daniel estava em Babilônia quando Ciro tomou a cidade! Essas evidências são como pegadas de um Deus que Se move entre nós. Embora a investigação e o questionamento promovam o avanço da ciência, todo cuidado é pouco quando lidamos com a Palavra de Deus. Afinal de contas, é Deus quem remove e estabelece reis e a história mostra que Ele sempre ganha.

Autor: Matheus Grillo - Publicado em: 10/04/2014 - Fonte: