O enigma sobre a destruição de Jericó

As muralhas teriam caído de dentro para fora
© Erica Guilane-Nachez / Fotolia
Falando em manifestações e multidões nas ruas, uma história bíblica que certamente envolveu muito barulho e muita gente é a conquista de Jericó. Essa é a história do início da conquista israelita da chamada terra de Canaã.
 
Sob a liderança de Josué, vindo do sudeste, o povo cruzou o Rio Jordão e acampou de frente à poderosa cidade de Jericó. Segundo a Bíblia, seguindo as ordens de Deus, Josué, seu exército e todo o povo foram instruídos a rodear a cidade durante sete dias, com os sacerdotes carregando a arca da aliança e tocando trombetas. No sétimo dia, após circundar a cidade sete vezes, Josué mandou, os israelitas gritaram e os sacerdotes tocaram as trombetas, de maneira que Deus fez com que as muralhas ruíssem.
 
Essa narrativa tem sido alvo de muita crítica, obviamente em virtude do importante papel do elemento sobrenatural nessa narrativa. A pergunta é: Qual história a arqueologia nos conta? A cidade de Jericó é um dos ajuntamentos mais antigos do mundo. Os registros humanos ali encontrados fornecem informações sobre quase todos os períodos do início da história. 
 
Entre os objetos mais antigos ali encontrados, temos machados, picaretas e foices, feitos de pedra, madeira e osso. Além disso, foram encontradas ali também uma muralha de quase seis metros e uma torre de 7,7 metros de altura com 8,5 metros de diâmetro. Construções que se destacam como obras muito a frente do seu tempo, mostrando que, provavelmente, já havia na cidade uma organização social capaz de mobilizar pessoas e recursos.
 
Desse período de Jerico em diante, as muralhas foram os elementos construtivos mais facilmente descobertos nas antigas cidades da terra de Israel, principalmente na chamada Idade do Bronze (3.300 a.C. até 1.200 a.C.). A presença dessas estruturas aponta para uma situação em que conflitos eram comuns, possivelmente entre cidades, tornando a proteção uma necessidade.
 
Através da escavação de Tell es-Sultan, local da antiga cidade de Jericó, e outros sítios, arqueólogos perceberam que o apogeu da civilização cananita teve lugar, provavelmente, entre 1.800 a.C. e 1.500 a.C. Tempo em que essas cidades floresciam cultural e tecnologicamente. Para o leitor da Bíblia, cabe lembrar que esse período corresponde, aproximadamente, à época em que os descendentes de Jacó moraram no nordeste do Egito. O curioso é que no fim desse período, século 18 a.C., as muralhas de Jericó alcançaram o apogeu de sua estrutura, tornando-se mais altas e com uma inclinação artificial na parte inferior, recurso que impedia o inimigo de atacar a cidade utilizando aríetes e escadas.
 
O mais interessante é que aproximadamente no período correspondente ao início da conquista israelita, os vestígios da cidade mostram que ela estava destruída e sem habitantes. Como aquelas poderosas muralhas foram derrubadas? John Garstang, que estudou a cidade entre 1930 e 1936, observou que as muralhas foram derrubadas não de fora para dentro, como se esperaria em uma invasão, mas de dentro para fora. 
 
A primeira explicação é de que um terremoto poderia ter feito isso. Mas existe outro elemento incomum: a cidade possui marcas de ter sido incendiada nesse período. Como é possível haver terremoto e incêndios associados nesse caso? Uma explicação seria um vulcão, mas não há vulcões ali. A possibilidade que resta, portanto, é de o incêndio foi causado por um exército invasor.
 
Vamos recapitular os fatos: as ruínas da cidade mostram que o período em que suas muralhas estiveram mais fortificadas é a época em que o povo de Israel esteve no Egito; após essa época, os vestígios apontam para uma cidade destruída e desabitada; as muralhas não ruíram em virtude de um ataque, de fora para dentro, mas de dentro para fora e; a cidade foi incendiada. Ora, todos esses fatos parecem confirmar o relato bíblico.
 
É verdade que ainda existem novas perguntas a serem respondidas e espaço para mais investigação. Contudo, para todo aquele que resolve buscar a Deus de todo o coração, sua promessa é “Me encontrareis”.
Autor: Matheus Grillo - Publicado em: 27/06/2013 - Fonte: