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Seu espaço para refletir sobre arqueologia, história e Bíblia
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A arqueologia se tornou pop. Pois é, quem diria que escavar coisa antiga se tornaria interessante? Quando se pensa em arqueologia, quase imediatamente nos lembramos de Indiana Jones ou Lara Croft escapando de várias armadilhas mortais enquanto buscam um tesouro esquecido de valor incalculável.
 
Não me esqueço de quando visitei Shechem. Para os palestinos, chamada de Nablus, e, para os leitores da Bíblia, melhor conhecida por Siquém. Contudo, o melhor da visita para mim não foi apenas conhecer a cidade, mas pensar que estava pisando onde Abraão (o pai da fé para judeus, cristãos e muçulmanos) caminhou há quase 4 mil anos.
 
Em busca dessa sensação, ao longo da história, diversos homens e mulheres têm se empenhado em escavar e estudar as terras bíblicas. Nesse sentido, vale a pena destacar que o trabalho do arqueólogo exige muito mais paciência e disciplina do que aparece nos filmes. Envolve uma rotina de cuidadosa (e lenta) escavação em busca de cerâmicas, moedas, fundações de edifícios, intercalados com exames de laboratório, limpeza meticulosa das peças e reconstrução de artefatos quebrados. É indispensável também o conhecimento de línguas antigas (algumas mortas) e história.
 
Mas nem sempre foi assim. O modelo de “caça ao tesouro” caracterizou durante muito tempo o trabalho da arqueologia, de maneira que muitas preciosidades históricas se perderam para sempre em função da irresponsabilidade de alguns. Foi apenas no século 19 que a arqueologia, como ciência dotada de métodos e com a possibilidade de produzir conhecimento, começou.
 
O início do século 20 corresponde à “era de ouro” da arqueologia bíblica. Muitos projetos grandes estavam sendo financiados e havia grande expectativa de que novos achados trouxessem luz e “provassem” a veracidade do texto bíblico.
 
Doce engano. Um dos grandes dilemas da arqueologia moderna é que, em vez de trazer uma resposta final às dúvidas dos críticos, silenciando quem joga pedra na Bíblia, as descobertas trouxeram novos questionamentos, reflexões e especulações. Até que, nos últimos 50 anos, tornou-se evidente que, como toda ciência, a arqueologia não possui respostas absolutas e nem se propõe a isso. Infelizmente, por causa disso, muitos se desiludiram com a Bíblia por não saberem lidar com a contribuição da dúvida para a fé.
 
Em resumo, a função da arqueologia é pesquisar a cultura material (na forma de objetos ou textos), fazendo com que esses elementos confirmem, ampliem ou revisem a história como a conhecemos. Para quem deseja entender melhor o texto bíblico ou verificar se ela é digna de confiança, a arqueologia pode ser uma grande parceira.
 
Acompanhe e descubra comigo!
 
 
Autor: Matheus Grillo - Publicado em: 10/05/2013 - Fonte: www.parks.ca.gov/?page_id=25540