As estrelas do pop não vendem música

Ela é só um detalhe em meio a muita dança e pouco figurino
© Andrei Tsalko / Fotolia
Sabe a “pole dance”, aquela dança em que uma mulher fica seduzindo um poste? Pois é. A música pop virou concurso de “pole dance”. Britney Spears, Rihanna, Beyoncé, Shakira, Fergie, Kate Perry, Nicky Minaj, Ke$ha e congêneres viraram meras dançarinas, barganhando a atenção do público por meio de megavoz (nem todas) e minirroupas (todas).
 
Mas, afinal, o que querem as divas do pop? Elas não querem vender música, porque a canção virou só um detalhe perdido em meio à dança (muita) e figurino (pouco) para posar de mulher fatal. Está aí a Madonna, há 30 anos como porta-estandarte do rebolation made in USA.
 
Não estou atacando de moralista contra as moçoilas, que são bem grandinhas pra saber o que fazer da vida. Não tenho moral “pra tacar pedra na Geni”, mas tenho duas razões para discordar desse arrastão de sensualismo glamourizado das estrelas da música pop.
 
Em primeiro lugar, quando alguns sociólogos e feministas dizem que Beyoncé e Cia. representam o “empoderamento da mulher contemporânea”, isso não passa de um engano sofisticado. Então a mulher ganhou mais poder para vestir lingerie de couro, passar a mão em dançarino sarado e mostrar o corpão para o delírio da galera? Grandes proezas!
 
Empoderamento de fato é a mulher ganhar salário igual ao do homem quando ambos exercem a mesma profissão. Empoderamento seria a mulher ter direito a muito mais tempo de licença-maternidade para cuidar dos pequenos. Empoderamento é não mais ser usada como isca em propaganda sexista na TV. 
 
Em segundo lugar, como as maiores estrelas do pop aderiram ao “padrão stripper” que a grande mídia e o público adoram, sobrou pouco espaço para outro tipo de música e outro tipo de cantora. Madeleine Peyroux? Ná Ozzetti? Sem chance. Essas duas não usam ventilador de palco para cabelos esvoaçantes, não requebram com dez dançarinos, nem cantam refrões robotizados.
 
Por isso, para cada Adele que aparece, surgem dez Shakiras. Já há quem chame a jovem e bem-comportada estrela Taylor Swift de ingênua. Não demora e vão transformar a menina em mais uma periguete do pop do jeito que fizeram com Mariah Carey e Miley Cyrus.
 
E o Brasil? Oh, yes, nós temos material girls tupiniquins! Se a fábrica pop americana reduz a mulher a uma caricatura de caras e bocas e pernas, nossa indústria orgulhosamente apresenta a mulher-pomar (Melancia, Morango...).
 
Uma Britney Spears sozinha não faz verão. Mas, e a repercussão de uma legião de britneys e rihannas na cabecinha de uma geração, o que faz?
Autor: Joêzer Mendonça - Publicado em: 07/06/2013 - Fonte: