Espiritualidade capitalista

O dia em que Deus sumiu
© Pashabo / Fotolia
Papa nas ruas e os pregadores na televisão. Parece que a massa corre o risco de ficar satisfeita com uma espiritualidade refletida em seres humanos. Muitos católicos e evangélicos demonstram terem sido contaminados pelo vírus da espiritualidade capitalista, que cria a ilusão e fica feliz com ela acreditando que uma figura, um bom sermão ou uma boa música é, enfim, espiritualidade. 
 
Assim, a vida espiritual passa a se resumir a um evento, símbolo ou mesmo discurso em que se usa linguagem religiosa. É incrível como cada vez mais encontro pessoas que procuram um bom pregador, movendo-se de Silas Malafaia e padre Fábio de Melo a Ivan Saraiva, mas a mesma energia não é aplicada no encontro pessoal com Deus. Essa espiritualidade capitalista de consumo cria a ilusão de que podemos ser satisfeitos sem Deus. Como no dia do bezerro de ouro no deserto (Êxodo 32), Deus sumiu. 
 
Será que vendemos nossa espiritualidade para o concreto e nos tornamos idólatras? Parte disso tudo parece ser a obsessão secular por felicidade travestida de espiritualidade. Bom sermão, boa música, “algo que me toque”; o risco é acreditar ser possível viver uma vida aparentemente cristã sem ter nenhum contato com Deus. Mas a espiritualidade cristã não é uma busca por felicidade e, sim, por santidade. E o que me toca, não necessariamente me transforma. 
 
Santidade é intimidade, obediência, crescimento, maturidade com, e em Deus. A exposição contínua a sermões ou programas religiosos não produz santidade, apenas a exposição a Deus produz. Podemos até ser tocados por instrumentalidades humanas, mas apenas Deus pode transformar. 
 
No fim das contas, não precisamos de mais ou melhores programas religiosos. Precisamos redescobrir Deus, de modo presente, intenso e transformador. É por isso que eu pergunto: Se tirássemos todos os pregadores, músicas, formas, ritos, produtos, símbolos, e despíssemos o cristianismo por completo de todo seu aparato acumulado por séculos e deixássemos apenas Deus? Conseguiríamos viver simplesmente com Ele? 
 
É preciso negar a “fissura” pelo reflexo e redescobrir a fascinação por Deus. Espiritualidade verdadeira não é uma busca incessante, mas uma vida vivida em resposta a Deus e sua salvação. 
 
A luz do reflexo da lua já não me basta, eu quero é o sol! 
Autor: Paulo Cândido - Publicado em: 05/08/2013 - Fonte: