A tumba vazia

Os argumentos contra a ressurreição de Cristo são tão insuficientes quanto a rocha que foi colocada para O sepultar
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Texto Luiz Gustavo e Marina Garner Assis

O que um zumbi e Frankenstein têm a ver com Jesus? Resposta: os três, supostamente, ressuscitaram! Essa foi uma piada que Richard Dawkins – líder do movimento neoateísta e autor do best-seller Deus, um Delírio – postou no seu twitter, em outubro de 2009. Como se percebe, ironia e sarcasmo são armas recorrentes na atual batalha intelectual contra a fé cristã.

Você não acredita na existência de zumbis, como os do filme Resident Evil, nem nos contos de terror de Mary Shelley, a autora de Frankenstein. Mas, por que então acreditar na ressurreição de um carpinteiro judeu do primeiro século? Por que rejeitar os relatos fantasmagóricos da ficção e aceitar a narrativa bíblica sobre a ressurreição?

Atacar a historicidade dessa doutrina é golpear o coração da fé cristã. Afinal, como disse um dos maiores defensores da ressurreição de Jesus, “se Cristo não ressuscitou”, escreveu o apóstolo Paulo, “é vã a vossa fé” (1Co 15:17). Como prova de que 2 bilhões de pessoas não estão cegamente enganadas, é possível encontrar evidências bíblicas e extrabíblicas de que a tumba de José de Arimateia ficou vazia naquele domingo de Páscoa.

Ctrl+C e Ctrl+V?

Imagens bem selecionadas. Uma voz indiferente ao fundo. Informações chocantes. Evidências “irrefutáveis”. É praticamente disso que os 122 minutos do documentário Zeitgeist (em alemão “espírito de um tempo”) é feito. A “revelação” é simples: Jesus não existiu. Na verdade, sua história seria um tipo de Ctrl+C e Ctrl+V (copiar e colar do Word) de várias narrativas sobre deuses pagãos do passado, que também nasceram de uma virgem, fizeram milagres, morreram e ressuscitaram. Em outras palavras, “plágio mitológico”.

Apesar de o documentário despertar o interesse por colocar o cristianismo como uma das maiores teorias de conspiração, a tese da produção peca em erros básicos, sem contar que ignora as evidências históricas a favor da ressurreição. Senão vejamos:

Os “pecados” do documentário Zeitgeist

1. Nascimento sobrenatural. O nascimento virginal de Jesus é distinto da origem sobrenatural dos deuses. No paganismo, as divindades que nasceram de uma virgem foram frutos de um romance entre deuses ou entre um ser divino e um humano. No relato bíblico, o menino Jesus não é concebido a partir de uma relação sexual.
2. O conceito de ressurreição. Ao contrário da Bíblia, que relata a ressurreição corpórea de Cristo, na mitologia pagã, os deuses desaparecem e voltam (mas sem morrer) ou os que morrem, ressurgem numa outra forma na natureza.
3. A originalidade. Todo o relato do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus é único ou distinto, não encontrando paralelos próximos nas lendas sobre divindades egípcias, persas, indianas, gregas e romanas.
4. Plagiadores pagãos. Contrariando os críticos, tudo indica que os povos pagãos copiaram e adaptaram a história da ressurreição de Cristo conforme suas crenças, tendo em vista que o relato bíblico é mais antigo do que as lendas pagãs.

Evidências do maior milagre   

1. A tumba de José de Arimateia. Segundo os Evangelhos, Jesus foi sepultado no túmulo desse Seu discípulo rico, que era membro do Sinédrio, o órgão responsável pelo julgamento fraudulento de Cristo. Por fazer parte da elite religiosa da época, o jazigo de José de Arimateia deveria ser bem conhecido pelos judeus e cristãos. Se os autores bíblicos quisessem enganar alguém, não fariam menção a um túmulo que poderia ser verificado.
2. A sepultura vazia. Seria totalmente insano da parte dos discípulos se eles começassem a pregar a ressurreição e a tumba não estivesse vazia. Ao invés de acusarem a presença do corpo de Cristo no túmulo, os líderes judeus, temendo que a notícia do milagre se espalhasse, disseram que os discípulos o haviam roubado. Prova de que o corpo não estava na tumba no domingo de manhã.
3. As várias aparições de Jesus. Os críticos sugerem que todas as testemunhas da ressurreição tiveram, na verdade, uma alucinação. Porém, estranho é pensar num delírio coletivo em todos os lugares e circunstâncias em que o Cristo ressurreto Se manifestou. Paulo menciona várias testemunhas oculares do milagre (1Co 15:3-7) que viviam em sua época. Se a ressurreição fosse uma farsa, o apóstolo poderia ser facilmente desmascarado. Além disso, as mulheres foram as primeiras pessoas a ver Jesus no domingo. Em razão de o testemunho delas ser ignorado por aquela sociedade machista, dificilmente os discípulos (homens) baseariam sua crença e pregação em depoimentos desacreditados.  
4. A disposição para o martírio. Com exceção de João, que teve morte natural, todos os discípulos sofreram martírio por crer e pregar a ressurreição de Jesus. É difícil pensar que eles, bem como milhares de seus contemporâneos, deram a vida motivados por uma grande farsa. Para os primeiros cristãos, a ressurreição de Cristo foi um fato histórico e uma experiência real com seu Salvador.  
(Fonte: www.reasonablefaith.org e www.garyhabermas.com)

Ainda que você não tenha estado naquele jardim na manhã do domingo de Páscoa de 31 d.C, e mesmo separado quase dois mil anos das aparições de Jesus, a ressurreição pode ser real para você. É preciso aceitar racionalmente o fato do passado e experimentar um relacionamento com o Cristo do presente.

Estamos terminando essa matéria no dia em que voltamos de uma cerimônia fúnebre de um adventista de Caxias do Sul, RS. No funeral, falamos sobre esse evento singular na história da humanidade: a vitória do nosso Senhor sobre a morte. Em meio às lágrimas dos familiares e amigos, um clima de esperança tomou aquele lugar: a certeza de que o poder que tirou Cristo do túmulo será o mesmo que convidará, na volta de Jesus, os justos para a vida. Aleluia! Isso é Páscoa!

 

Artigo publicado na Conexão JA de abril-junho de 2010, nas páginas 26 e 27.

Autor: Luiz Gustavo Assis - Publicado em: 17/04/2014 - Fonte: