Produzido pela fé

Entrevista do executivo de Hollywood, DeVon Franklin, para a revista Conexão 2.0
The FronPage Firm (cortesia)

 

Ele é jovem, bem-sucedido e vive em um ambiente em que a vaidade é cultuada. Ao deixar sua marca na calçada da fama dos executivos de Hollywood, DeVon Franklin tinha tudo para se esquecer dos valores que o conduziram até ali. Mas ele fez algo que é raro entre os artistas do cinema norte-americano: creditou seu sucesso a Deus. 
 
Na autobiografia Produced by Faith, DeVon fala sobre a autenticidade com que procura viver sua fé adventista. Seu testemunho despertou o interesse de Oprah Winfrey e da Conexão 2.0, que traçou seu perfil na edição de abril. Abaixo, você confere a entrevista que DeVon concedeu à revista. 
 
Que semelhanças você vê entre a indústria do cinema e a trajetória da vida pessoal?
No meu livro Produzido pela Fé, comparo a vida à produção de um filme. No cinema, há um tempo de preparação, o qual chamamos de desenvolvimento. Na vida, você não pode simplesmente alcançar a posição que tanto almeja. Antes, porém, é preciso ser lapidado, treinado e adquirir experiência. Isso leva tempo. Da mesma forma, precisamos desenvolver nossa integridade e talento, o que irá nos preparar, lá na frente, para assumir a posição que almejamos.
 
O que é sucesso em sua opinião? 
Sucesso é paz. Você deve realmente gostar de quem Deus fez você ser. Não importa a posição que você tenha, não importa quantos filmes você faça, não importa quais honras você receba, é preciso amar a pessoa que Deus fez você ser e estar em paz com ela. Acredito que o sucesso começa aí.
 
O que faz um vice-presidente de produção da Columbia Pictures?
Meu trabalho é achar grandes ideias e filmes que vendam. E para fazer isso, tenho de encontrar scripts, livros, games, romances clássicos e outras produções culturais que possam ser transformadas em filmes. 
 
Você já rejeitou algum trabalho por causa de suas crenças religiosas? 
Eu já tive que fazer isso, você sabe. Eu não quero isso mais do que fazer a vontade de Deus. Quando aparece alguma coisa que eu entendo não ser correta fazer, não faço e sou claro sobre as razões da minha posição.
 
Antes da entrevista com a Oprah, a imprensa, de forma geral, sabia a respeito de sua fé?
Sim, concedi uma série de entrevistas a respeito disso.
 
Em geral, as celebridades não têm as mesmas crenças e estilo de vida dos cristãos. Como podemos compartilhar nossa fé com esse grupo? 
Eu acho que, às vezes, agimos como se não pudéssemos nos associar com eles, assumimos uma postura exclusivista. Temos que ser mais inclusivos. É preciso entender onde as pessoas estão e alcançá-las onde elas estão. O caminho não é dizer apenas: “Ei, estamos do outro lado da rua, se você quer se juntar a nós, chega aí". Temos que ser mais apaixonados em ajudar as pessoas. 
 
Como surgiu o convite para participar do programa da Oprah?
Surgiu de um erro. Uma assessora de imprensa muito influente em Hollywood me ligou, mas não dei um retorno, como deveria ter feito. Então, como forma de pedir desculpas, enviei para ela um presente com um exemplar do meu novo livro. Ela leu o livro, amou e o recomendou para os assessores da Oprah. Depois de oito meses, gravei uma entrevista no programa Super Soul Monday. Isso tudo foi muito incrível e acredito que as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo Seu propósito. Eu amo pensar que apenas o fato de eu testemunhar para a Oprah fez com que a Bíblia ganhasse vida para muitas pessoas.
 
Cineasta adventista fala sobre o sábado para Oprah Winfrey (Legendado)
 
A educação cristã que você teve e os ministérios nos quais você participou desde a adolescência o ajudaram a descobrir quem você realmente é?
Sim, com certeza. Desde pequeno, fui muito ativo na igreja. Isso me ajudou a construir uma base de integridade, desenvolveu minha ética de trabalho e me deu senso de responsabilidade e transparência. 
 
Como tem sido a experiência de guardar o sábado na indústria do cinema?
Você tem que deixar claro que seu objetivo é fazer a vontade de Deus. Nada pode vir antes disso. Houve situações em que fui convidado para outras atividades na sexta-feira à noite, mas simplesmente não fui.
 
Como podemos encontrar nossa "grande ideia"?
Você tem que orar e olhar para as coisas que você faz bem. Você é apaixonado pelo quê? Quais são suas áreas de interesse? Às vezes, isso está claro, outras vezes é preciso se descobrir. Busque isso em oração, comece um período de jejum e diga: "Senhor, para que fui criado e o que você quer de mim?"
 
Como uma boa rede de contatos pode ajudar na carreira?
É importante cercar-se de profissionais realmente íntegros, pessoas que o motivam e que podem estar num estágio na carreira à frente do seu. Tudo isso cria um ambiente que o ajuda a crescer. 
 
Autor: Leonardo Siqueira - Publicado em: 01/04/2013 - Fonte: