O poder do perdão

Documentário sobre o genocídio de Ruanda explica como o país está se recuperando da guerra tribal
Divulgação

Quem assistiu ao filme Hotel Ruanda ou já leu alguma coisa sobre o genocídio que matou quase um milhão de pessoas no pequeno país do centro da África em 1994, não pode deixar de ver o documentário Memórias Feridas, o renascer de uma nação. A produção de 50 minutos é o trabalho de conclusão de curso dos ex-alunos de jornalismo do Unasp, Larissa Jansson, Paulo Mondego e Joelmir Melo. O documentário apresenta entrevistas com os sobreviventes, líderes do governo, especialistas e mostra como a nação tenta se reconstruir depois de ser avassalada pelo ódio tribal. Nesta entrevista, Larissa, que vendeu seu carro para custear o projeto, conta um pouco dos bastidores e as lições aprendidas em Ruanda.

 

Como foi produzido esse documentário?

Ficamos em Ruanda, gravando entrevistas, entre 31 de julho e 15 de agosto de 2007. Além dos três formandos, contamos com o trabalho do cinegrafista Jean Gabriel. O projeto custou 11 mil reais, incluindo passagens, alimentação, estadia, transporte e material técnico. Começamos a procurar patrocínio cerca de um ano antes e faltando menos de um mês para a viagem, não tínhamos dinheiro. Foi então que conversei com a minha família e decidi vender meu carro para pagar as despesas.

Como o material tem sido divulgado?

Basicamente, fazemos as cópias à medida que nos encomendam. De 2007 a 2010, vendemos e distribuímos (para jornalistas e mídias especializadas no assunto) cerca de 200 DVDs. Em setembro de 2009, o material foi indicado pelo jornalista Fábio Zanini, autor do blog Pé na África, da Folha de S.Paulo.

Por que escolheram esse tema?

Queríamos um assunto diferente. Pesquisamos vários temas e discutimos com nossos orientadores. O Paulo conhecia pessoas que trabalharam como funcionários da Igreja Adventista em Ruanda e se interessou pelo país ao ouvir as histórias que elas contavam. Além disso, fomos atraídos pelo ineditismo do tema e a proporção da tragédia.
 

Por que optaram pelo viés secular em lugar do denominacional?

Queríamos falar de uma forma interessante para todas as pessoas. E, talvez, se nosso trabalho tivesse vinculado à alguma denominação religiosa, poderia despertar preconceito. Ao mesmo tempo, gostaríamos que o documentário fosse exibido em qualquer emissora de televisão, religiosa ou não.
 

O que você aprendeu com o projeto?

Aprendi até onde pode chegar uma política baseada em mentiras, ódio e preconceito. Testemunhei os resultados nefastos de mentiras que foram tomadas como verdade absoluta. Aprendi como uma colonização arrogante e absurda pode deformar uma história e cultura, separando irremediavelmente um povo. Aprendi como a discriminação pode ser cruel, se instalar no coração aos poucos e provocar grandes tragédias. E entendi que, ao adotar uma postura preconceituosa ou discriminatória contra quem quer que seja, somos tão culpados quanto os genocidas ruandeses. Isso, aos olhos de Deus, é desprezar quem Ele considera especial, criado à Sua imagem e semelhança.

Acho que uma história trágica como a de Ruanda só pode ser superada mediante a justiça e o perdão. Pode parecer impossível às vezes, mas a raiva, o ódio e o desejo de vingança não permitem que a cura aconteça e o ciclo de violência pode recomeçar. Mas, como tudo o que é bom só pode vir de Deus, creio que eles precisam aprender com Ele a perdoar. O perdão é um atributo exclusivamente divino e é a única base de renascimento para os ruandeses e para qualquer um.

 

Para comprar

larissa.jansson@yahoo.com.br

Autor: Wendel - Publicado em: 07/04/2014 - Fonte: