Perguntas

Tatuagens, bola, piada e milagres
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Ponto de vista

Tatuagem

Texto Fernando Dias e Eduardo Rueda

Já foi o tempo em que a tatuagem era exclusividade de grupos marginalizados. Nas últimas décadas tem crescido cada vez mais o número de tatuados de todas as classes e culturas. Da arte ao gosto pessoal, a pintura permanente do corpo tem ganhado espaço e popularidade. Entre as religiões, as opiniões se dividem.   

Sim

Para os budistas, tatuagens são algo comum. Elas são usadas por monges, para expressar sua devoção religiosa, e já existem até imagens de divindades budistas com tatuagens pelo corpo, como é o caso de Acala, um dos Cinco Reis da Sabedoria do Reino do Ventre. Já no hinduísmo, as tatoos, especialmente na testa, além de serem permitidas, são incentivadas e fazem parte da religião. Acredita-se que as tatuagens tragam bem-estar e proteção espiritual.

Não

Para protestantes, católicos e judeus, de modo geral, a tatuagem é proibida ou, no mínimo, desaconselhável, com base nas Escrituras Sagradas, mais especificamente, em Levítico 19:28. Embora no catolicismo não haja uma proibição formal às tatuagens, a Bíblia de Jerusalém (tradução católica) traduz a palavra hebraica qa‘aqa‘, no texto acima, por “tatuagem”. O mesmo faz a Nova Versão Internacional (tradução protestante). Os adventistas creem que o ser humano foi criado à perfeita imagem de seu Criador e que seu corpo é o templo do Espírito Santo, não necessitando assim de nenhum acréscimo (Gn 1:26, 27, 31; 1Co 6:19, 20; 3:16, 17). De acordo com o Comentário Bíblico Adventista, embora a tatuagem seja “um costume não imoral em si mesmo”, ela é “[indigna] do povo de Deus, pois tende a macular a imagem do Criador”. No islamismo, o argumento é semelhante. Segundo o xeique Jihad Hassan Hammadeh, presidente do conselho de ética da União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil, a tatuagem é proibida porque desconfigura e modifica a criação de Deus.

Depende

Uma vez que o espiritismo se ocupa mais com o espírito do que com o corpo ou o mundo material, não há na doutrina espírita restrições ou proibições referentes à tatuagem. O que há são orientações, baseadas no bom senso. Os espíritas desestimulam tatuagens com desenhos sinistros, sensuais ou com palavras de baixo calão, que, afirmam, podem atrair más influências espirituais. A posição do candomblé e da umbanda, principais religiões de matriz africana no Brasil, é semelhante à do espiritismo: para eles, o que vale é o bom senso e a consciência de cada um, embora levem em consideração a tradição dos ancestrais quanto à pintura do corpo em rituais religiosos.
 
Fontes: Niara de Oliveira (jornalista), “Tatoo versus religiões”, em mundodastatuagens.com.br; Wikipedia.org, “tatuagem”; Bíblia de Jerusalém (Editora Paulus, 2002); Nova Versão Internacional (Editora Vida, 2002); Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (CPB, 2011), v. 1, p. 856, 857; James Black, “Body piercing and tatoos: a biblical perspective”, Youth Ministry Accent (periódico adventista para líderes de jovens), abril-junho de 2008, p. 6-12; site redeamigoespirita.com.br, “Tatuagem e piercing na visão espírita”

 

Básica

Milagres são possíveis?

Texto Eduardo Rueda

Milagre é um “ato ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais” (Dicionário Houaiss). O principal argumento daqueles que não acreditam em milagres é que eles violam as leis da natureza – “regras” que explicam como o mundo funciona. Um exemplo é a lei da gravidade, responsável por fazer com que objetos soltos a certa altura caiam, em vez de subir. Acreditar que Deus realiza milagres não implica necessariamente aceitar que isso seja uma quebra das leis naturais. Essas leis são baseadas nas observações que os cientistas fazem do mundo natural, e seria presunção afirmar que a ciência sabe tudo sobre as propriedades da luz, do calor e do som, por exemplo. O conhecimento humano, por mais desenvolvido que seja, é limitado, e não sabemos completamente como as coisas acontecem.

Deus, como criador das leis da Física, da Química e da Biologia, pode muito bem adaptá-las, em vez de violá-las, para cumprir determinado propósito. Imagine, por exemplo, que Ele fizesse com que um punhado de sal num copo d’água não se dissolvesse. Isso não significaria que o sal, como substância, perderia sua propriedade de se dissolver na água. O sal continuaria tendo essa propensão, mas, por intervenção divina, ele deixaria de se dissolver. De modo semelhante, para realizar milagres, Deus não precisa infringir as leis naturais que Ele próprio criou, basta interferir no fluxo ou no estado natural das coisas. Essa interferência pode fugir da normalidade e ser impossível, do ponto de vista humano, mas se torna plenamente compreensível quando admitimos a possibilidade de um Deus todo-poderoso (na edição de janeiro, vimos evidências da existência de Deus). O fato de milagres não poderem ser reproduzidos em laboratório não prova a inexistência deles, mas apenas aponta seu caráter sobrenatural.

Os milagres de Deus nuncam acontecem por acaso. Seus atos sobre-humanos na história bíblica se concentraram em três períodos principais (os dias de Moisés e Josué, a época dos profetas Elias e Eliseu e o tempo de Jesus e Seus apóstolos). Em cada caso, a função básica dos milagres era preparar as pessoas para as novas mensagens de Deus e confirmar sua fé (Jo 4:48). No entanto, é preciso tomar cuidado com os falsos milagres, realizados pelas forças enganosas do mal – embora seu poder seja infinitamente menor que o de Deus (Êx 7:10, 11; Ap 16:12-14; 2Co 11:14).

Fontes: Kwabena Donkor em A Lógica da Fé (CPB, 2014), “Milagres são possíveis?”; Got Questions, “Devem os milagres na Bíblia ser interpretados literalmente?”; Watchtower Online Library, “Are miracles really possible? – Three common objections”; John McArthur, O Caos Carismático (Editora Fiel, 2011), p. 145

 

Curiosa

Bom humor

Texto Eduardo Rueda

Por que a galinha atravessou a rua? Pra chegar ao outro lado! (Dãã!) Bem, esta pode não ser a piada mais engraçada do mundo (na verdade, é uma das piores!), mas você já parou para se perguntar por que a gente ri? Cientificamente, o riso é regulado pelo sistema de recompensa do cérebro, responsável pela liberação de substâncias que causam a sensação de prazer. O ramo da ciência que estuda nossa capacidade de “achar graça” nas coisas é chamado de “humorologia”. Segundo os especialistas, o humor ocorre, de modo geral, diante de situações inesperadas e ideias contraditórias ou absurdas, que contrariam nossos padrões mentais de normalidade. O humor não é exclusividade dos humanos. Os cientistas detectaram entre ratos, cães, chimpanzés, pinguins e outras espécies manifestações equivalentes ao nosso riso.

 Os benefícios do bom humor para a saúde são inúmeros. Um simples riso movimenta vários músculos da face e do corpo. Uma boa gargalhada produz uma sensação de relaxamento e prazer, capaz de diminuir consideravelmente o nível de estresse e fortalecer o sistema imunológico. O riso ajuda também a ativar a circulação sanguínea, a reduzir a pressão arterial e o risco de doenças cardíacas. Ele aumenta o índice de colesterol bom e a absorção de oxigênio pelos pulmões, contribui para retardar o envelhecimento, melhora a digestão e queima calorias.

Além de todos esses benefícios, o bom humor tem vantagens sociais. Se ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa carrancuda, por outro lado, sorrir aproxima as pessoas e facilita os relacionamentos, afinal, como dizia Salomão, “a alegria embeleza o rosto” (Pv 15:13).   

Fontes: Eduardo Lambert, A Terapia do Riso: a Cura pela Alegria (Pensamento, 1999); “Livro desvenda a ciência do humor e de sua ligação com a inteligência”, Folha de S. Paulo online, 28 abr. 2014 (folha.uol.com.br); site minhavida.com.br; site do Hospital Albert Einstein (einstein.br)

 

Tudo ligado

Da bola à Angola

Texto Eduardo Rueda

Bola

Sua origem remonta à Pré-História. Era usada em rituais religiosos, como instrumento de caça e como objeto de diversão. Passou por diversas mudanças em seu formato e na aparência. Oficialmente, a primeira bola de futebol a rolar no Brasil foi trazida da Inglaterra por Charles Miller, em 1884. Era feita de couro curtido (capotão), e a câmera era uma bexiga de boi. Por falar em animal, uma espécie que gosta de correr atrás de bolas (principalmente das de tênis) são os... 

Cães

Conhecidos também como cachorros, são talvez o mais antigo bicho domesticado pelo ser humano. Chamado de “o melhor amigo do homem”, o cão convive muito bem com as pessoas e, em muitos casos, chega a ser considerado parte da família. Cada vez mais, cresce o número de pet shops especializados em oferecer para os “auaus” os mais variados tipos de mordomia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa i Love Dogs vende a coleira mais cara do mundo (cerca de R$ 7,3 milhões), com 52 quilates de puro...

Diamante

É um dos materiais mais resistentes do mundo, e sua utilidade não se limita à fabricação de joias. Os diamantes são usados também para fabricar instrumentos de corte, perfuração e polimento. Na forma natural, eles não são tão brilhantes. O que faz com que reflitam tanta luz são as facetas, criadas no processo de lapidação. Para se formar, o diamante precisa de uma temperatura que varia entre 110ºC e 300ºC, em profundidades de 80 a 100 km. A mina de Luó, uma das maiores jazidas de diamante do mundo, se encontra na...

Angola

A lingua oficial de lá é o português, mas, além do nosso idioma, os angolanos também se comunicam em ucôkwe, kikongo, kimbundu, umbundu, nganguela e ukwanyama, entre outras línguas e inúmeros dialetos. O símbolo nacional é o antílope gigante, também conhecido como pelanca-negra, espécie rara, encontrada somente em terras angolanas. Embora seja um dos países mais ricos da África subsaariana, o nível de desigualdade lá chega a ser absurdo. Dos cerca de 5 milhões de habitantes da capital Luanda, boa parte ainda não tem água potável, e o país tem a segunda pior taxa de mortalidade infantil do mundo. Enquanto a bola rola por aqui, quem não tem diamante no bolso leva uma vida de cão, como nossos irmãos angolanos.

Autor: Eduardo Rueda - Publicado em: 05/07/2014 - Fonte: