Imagine

... se a internet não existisse
Thiago Lobo

Ok! Não é nada fácil imaginar a vida sem os recursos e facilidades da web. Só no Brasil, segundo o Ibope, dos 196 milhões de habitantes, 47% acessaram a internet no último trimestre de 2012. Entre os jovens, ela é o principal meio de comunicação e entretenimento, seja para pesquisar, ver filmes ou simplesmente jogar conversa fora. As vantagens desse fenômeno você já sabe e experimentou, mas este texto quer fazer você pensar no outro lado da moeda.

 

Brincadeira de criança

“Com a internet, as possibilidades aumentaram!”, você pode pensar. Claro! Mas quantas delas ainda brincam de pega-pega e esconde-esconde? Com a popularização dos gadgets, toda uma geração trocou recreação presencial por diversão artificial. Os prejuízos para o desenvolvimento físico e social são inevitáveis. Mais sedentarismo, muitas horas em frente às telas e menos interação pessoal com meninos e meninas da mesma idade. 

 

Tour virtual

Se você nunca “andou” pelas ruas de Paris sem sair de casa, está perdendo tempo. Um dos projetos mais ambiciosos da era digital foi colocar o mundo todo na internet. Com poucos cliques e zooms, você pode visualizar o mapa de qualquer lugar do globo e até “passear” por alguns dos mais famosos cartões-postais do mundo. Algo impensável antes da web, época em que era preciso se contentar com algumas fotos, vídeos e relatos daqueles que já estiveram lá. Apesar do avanço tecnológico, nada supera a experiência real de visitar o Museu Britânico ou mergulhar no Taiti. 

 

Mais concentração

O escritor norte-americano Nicholas Carr argumenta que a internet está alterando o cérebro humano e, consequentemente, nosso comportamento. Vivemos em uma era de distrações. Já não é tão fácil realizar uma única atividade sem ceder à tentação de olhar o Facebook ou checar a caixa de e-mail. E isso não é tudo. O Google nos deixou mais preguiçosos. Quase não retemos informações, porque sabemos que elas estão a um clique. 

 

Face a face

A forma como nos relacionamos está mudando radicalmente. Com mais coisas para fazer em um menor espaço de tempo, a sociabilidade fica em segundo plano e, quando acontece, é mediada pela tecnologia. Vide o fenômeno das redes sociais. Resultado: estamos fisicamente mais distantes. Além disso, segundo Ciro Marcondes Filho, falamos muito e comunicamos pouco. A dependência de intermediários digitais nesse processo dá a ilusão de comunicação, mas isso não acontece em sua plenitude. 

 

O jornal nosso de cada dia

Até o fim do século passado, quem queria se manter informado precisava esperar pela próxima edição dos telejornais ou dos impressos. Agora, em poucos minutos, tudo está disponível online e de graça, na maioria dos casos. A informação já não é mais exclusividade dos jornalistas. Qualquer pessoa com conexão à web é capaz de “produzir” notícias. É o chamado jornalismo colaborativo. Se por um lado isso contribuiu para a democracia, por outro, enche a timeline e nossa cabeça, é claro, de informações inúteis, excessivas e que geram ansiedade e superficialidade.

 

A web não precisa ser demonizada, mas também não deve receber status de Deus. Ela não é onipresente (precisa estar em todos os lugares), onisciente (tem todas as respostas), e onipotente (oferece todas as possibilidades). Como qualquer tecnologia, a internet é uma extensão do homem. Expansão do que há de melhor e pior nele. 

 
Fontes: A dromocracia cibercultural, de Eugênio Trivinho (Paulus, 2007); A geração superficial, de Nicholas Carr (Agir, 2011); A vida digital, de Nicholas Negroponte (Companhia das Letras, 1995); Até que ponto, de fato, nos comunicamos?, de Ciro Marcondes Filho (Paulus, 2004); Ser jornalista, de Ciro Marcondes Filho (Paulus, 2009).
 

 

Autor: Jefferson Paradello - Publicado em: 01/04/2013 - Fonte: