A vida, um filme

Executivo de Hollywood fala de sucesso e valores em autobiografia
The FronPage Firm (cortesia)

É fácil saber quando um filme acaba. Basta prestar atenção nas letrinhas brancas que aparecem na tela assim que a última cena de uma produção cinematográfica é exibida. É no fim do filme, quando a história atingiu seu ponto mais alto e os personagens da trama finalmente chegaram no “e foram felizes para sempre”, que a gente descobre quem são os autores e produtores de uma produção. 

 

O vice-presidente sênior de Produção da Columbia Pictures, DeVon Franklin, levou cerca de 15 anos, entre o primeiro estágio e a função que ocupa atualmente, para descobrir que sua vida era, na verdade, um filme, e Deus, o produtor. A afirmação pode parecer estranha, mas foi essa concepção que levou esse adventista a galgar um dos cargos executivos mais cobiçados de Hollywood.
 

No livro Produced by Faith (Produzido pela Fé, em tradução livre), Franklin usa a produção de filmes como metáfora da vida. Para tanto, ele descreve as várias etapas utilizadas no mundo do cinema para se produzir e, consequentemente, vender um sucesso de bilheteria.
 

Antes de ganhar as telonas, os filmes passam por duas etapas importantes: desenvolvimento e produção. “Na indústria do cinema, há um tempo de preparação, o qual chamamos de desenvolvimento. Na vida, você não pode simplesmente alcançar a posição que tanto almeja. Antes, porém, é preciso ser lapidado, treinado e adquirir experiência”, diz um dos 35 executivos mais importantes de Hollywood com até 35 anos de idade, segundo a revista americana The Hollywood Reporter. É apenas quando você descobre sua “grande ideia” – que é seu sonho, alvo profissional ou objetivo de vida – que é possível avançar para a segunda e última etapa: a produção.

 

Ambos os processos são longos e delicados. E é exatamente por isso que, antes de mais nada, você deve conhecer seus valores. “Que crenças não posso, de maneira alguma, comprometer?”, questiona Franklin em seu livro. “O problema é que quando você é o personagem da história – quando você está imerso nela – você não consegue ver como as coisas vão acontecer no futuro”, escreve. Por isso, ter a consciência de que você e Deus são os roteiristas de sua vida, e que Ele é o diretor, pode ajudá-lo a vencer uma série de obstáculos. 

 

Superação e preparo

Filho de imigrantes jamaicanos, Franklin cresceu em um lar cristão. Mesmo tendo perdido o pai, Donald Franklin, aos 9 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco, o futuro executivo não perdeu a esperança e a vontade de vencer. Pelo contrário, abraçou sua fé e fez dela um verdadeiro escudo. Com o tempo, descobriu que a “grande ideia” de sua vida estava na indústria cinematográfica.

 

Em 1996, ele fez um estágio na Handprint Entertainment e, em 1998, recebeu um convite para trabalhar na Overbrook Entertainment, onde aprendeu mais sobre a indústria do entretenimento e conheceu de perto o ator Will Smith e o produtor James Lassiter.

 

Mesmo durante a graduação na Universidade do Sul da Califórnia, Franklin enfrentou dificuldades para conciliar a fé adventista com a rotina de estudos e trabalho. Em vez de ser prejudicado por observar o sábado bíblico, ter sua fé testada apenas reforçou a convicção de quem ele realmente era, destacando-o como alguém autêntico e confiável. “Não há uma separação entre a vida pessoal, profissional e religiosa. Elas são, na verdade, a mesma coisa”, defende o executivo mais jovem de Hollywood.

 

Ele compara as dificuldades que viveu durante a infância – como a ausência do pai, que antes de falecer perdeu o emprego e abandonou a família por conta do alcoolismo – e na vida adulta, ao processo criativo de produzir o roteiro de um filme. 

 

“No cinema, você não sai por aí e produz um filme num dia claro, com o céu azul. Primeiro, é necessário criar um roteiro. Isso leva tempo. Da mesma forma, passamos por um processo até desenvolver nossa integridade e talento, o que irá nos preparar, lá na frente, para assumir a posição que almejamos”, aconselha.

 

Valores

Conhecido no mundo das celebridades como um homem íntegro, que não tem vergonha de priorizar sua fé, antes mesmo do trabalho, Franklin tem uma definição bem peculiar de sucesso. “O sucesso é paz. Antes de tudo, você precisa ter paz. Você precisa gostar de ser quem Deus fez você ser. Seja lá qual for sua posição, Deus criou você para ter paz consigo mesmo, e eu acredito que o sucesso começa exatamente aí”, argumenta. 

 

Colocar a fé em primeiro lugar é desafiador para quem vive de uma indústria interessada somente nos bilhões de dólares que fatura anualmente. Isso inclui rejeitar convites importantes e ordens que não estejam de acordo com seus princípios. 

 

“Já neguei alguns tipos de trabalho por causa de minha fé. Eu não quero esse negócio mais do que eu quero a vontade de Deus. Se tem alguma coisa que não é certa, e não vou fazê-la, serei claro a respeito do porquê que não estou fazendo aquilo”, reitera o executivo.

 

Franklin já deu provas de sua seriedade. Ele manteve um voto de castidade de dez anos com a então namorada e noiva, a atriz e produtora Meagan Good, com quem é casado desde junho do ano passado.

 

Se ele estiver certo; se nossa vida for de fato um filme, pode ser que o “final feliz” que você sonhou para a sua não esteja na fama ou poder. Não se preocupe ou se frustre! A realização profissional e pessoal só é completa quando você sabe quem é e vive de acordo com o que acredita. Como diz DeVon: “Só entre pela porta em que cabe a sua fé”.

 

Sete lições de DeVon Franklin

1- Não há sucesso da noite para o dia. Tudo tem um preço

2- Atitudes falam mais alto que palavras

3- Deus espera que a gente coloque nosso dinheiro onde está a nossa fé, em todos os aspectos de nossa vida, especialmente na carreira

4- Não fale. Mostre

5- Seja corajoso e criativo

6- Menos é mais

7- Ouça

 

Para saber +

Produced by Faith, de DeVon Franklin com Tim Vandehey (Howard Books, 2011). 

 
C+: veja a entrevista de DeVon Franklin para a Conexão 2.0 e para Oprah Winfrey.
Autor: Leonardo Siqueira - Publicado em: 01/04/2013 - Fonte: