Silêncio

Para alguns é sinônimo de tranquilidade, mas para um casal de surdos é oportunidade
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Em 2011, Douglas Silva, tinha 24 anos, e Karen Sanches tinha 27. De lugares diferentes do Brasil, não foram só as alianças que os uniram, mas também a vontade e capacidade de evangelizar uma "etnia": os surdos. Para isso, eles deixaram a segurança do emprego estável e de uma formação acadêmica já concluída, para estudar Teologia na Faculdade Adventista da Amazônia, em Benevides, PA (www.faama.edu.br).

Douglas trabalhou por três anos na Pfizer, multinacional farmacêutica, foi professor da Escola Sabatina e presidente do ministério dos surdos adventistas do Brasil (www.surdosadventistas.com.br/). Karen liderava o ministério dos surdos em Maringá e trabalhava como instrutora de Libras na Anpacin, escola para surdos. Douglas fez até o segundo ano de Farmácia e Bioquímica e Karen é formada em Letras e pós-graduada em Educação Especial e Libras.

 

O chamado

Douglas sonhava em ser o primeiro pastor adventista surdo da América do Sul e inspirar outros a também abraçar a carreira ministerial. Na época, existiam 300 milhões de deficientes auditivos no mundo, e apenas 5% cristãos. Hoje, no Brasil, estima-se que 5,2% da população brasileira sejam deficientes auditivos. Deste total, 2,6 milhões são surdos e 7,2 milhões apresentam grande dificuldade para ouvir. 

A convicção de que deveria dedicar sua vida à missão nasceu de uma conversa com o pastor Davi Tavares,  coordenador do curso de Teologia da Faama naquele ano, num dos encontros do Gospel Outreach, ministério de apoio da Igreja Adventista que envia missionários para a chamada Janela 10/40 (região do mundo com o menor número de cristãos). Nesse encontro, Douglas e Karen foram apresentados como uma promessa para o ministério para surdos na América do Sul.

Apesar de ter encontrado boa estrutura e ambiente acolhedor na Faama, Karen reconheceu que mudar para o Norte do Brasil não foi uma adaptação fácil. Essa adaptação também desafia os professores e colegas de sala do Douglas, que conta com um tradutor ao seu lado para tirar dúvidas.

 

Planos

O plano de Douglas é multiplicar o número de pessoas que desejam trabalhar nesse ministério. Ele pretende inspirar outros surdos a cursar Teologia e orientar mais igrejas a implementar o evangelismo com deficientes auditivos. Assim como Douglas, a Faama tem recebido outros alunos com potencial para realizar trabalhos específicos, como dois estudantes indígenas, um norte-americano e alguns africanos.

Para realizar seus sonhos, Douglas conta com a colaboração de uma esposa missionária. Karen foi quem ensinou a Bíblia para Aline Feza, batizada na programação do evangelismo via satélite realizado pelo pastor Luís Gonçalves, em Maringá, no ano de 2010. “A insuficiência não nos impede de ir a toda tribo, povo e nação, proclamar a mensagem adventista em nossa língua específica que é o gesto”, conclui Douglas.

Todos precisam ouvir

Apesar dos grandes desafios, o ministério para surdos no Brasil já soma várias conquistas. Os interessados pelo tema já realizaram vários encontros e mantêm o portal www.surdosadventistas.com.br/, que pretende integrar os quase 60 ministérios espalhados pelo País. Destaque para o trabalho realizado no Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Maringá, São Paulo e Hortolândia, SP. Estima-se que mais de 500 surdos sejam membros da Igreja Adventista no Brasil.

 

História relatada a Márcio Araújo, assessor de imprensa da Faama

marcioaraujo.iasd@hotmail.com

 

O texto original pode ser encontrado na revista Conexão JA, edição 19, jul-set de 2011. 

 

Autor: admin - Publicado em: 20/02/2019 - Fonte: