Perguntas

Trabalho, casamento, bioética e veracidade da Bíblia
© Mara Zemgaliete / Fotolia

Ponto de vista

Animais em testes científicos

Texto Wellington Barbosa e Eduardo Rueda
 
Em outubro do ano passado, um grupo de ativistas invadiu o Instituto Royal, em São Roque, SP, para resgatar mais de cem cães da raça beagle. Os animais eram utilizados em testes científicos ligados à indústria de medicamentos. Em poucas horas, diversas fotos dos simpáticos cãezinhos se espalharam pelas redes sociais, causando grande comoção.
O caso reacendeu os debates a respeito do uso de animais em experimentos farmacêuticos. Inevitavelmente, o tema gerou também discussões no campo da religião. De forma geral, os religiosos se dividem entre dois posicionamentos:
 
Não
Algumas religiões não aceitam a utilização de animais em experimentos científicos. O hinduísmo, por exemplo, entende que a divindade habita em todos os seres vivos, humanos ou não. O conceito da não violência (ahimsa) também é fundamental para os hindus em todas as formas de relacionamento com a vida. Apesar disso, eles consideram que a situação é delicada e deve ser pautada pelo nobre interesse que há por trás – a busca pela cura de doenças. 
Além dos hindus, há cristãos que se opõem ao uso de animais como cobaias. Exemplo disso é a entidade interdenominacional The Mary T. and Frank L. Hoffman Family Foundation, que combate não somente a utilização científica, mas também o consumo dos animais como alimento.
 
Depende
Uma vez que a ciência não conseguiu, até o momento, desenvolver métodos alternativos eficazes, os cristãos, em sua maioria, permitem o uso de animais como cobaias, mas com ressalvas. Segundo o Catecismo, essa prática é moralmente admissível, desde que permaneça dentro dos limites razoáveis e contribua para salvar vidas.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por sua vez, reconhece que o cuidado com a criação está intimamente relacionado ao culto a Deus, e o fato de Ele ter permitido que o ser humano se beneficie do reino animal (Gn 1:26) não nos isenta de tratar com bondade Suas criaturas e evitar ou minimizar o sofrimento delas. Por outro lado, a Bíblia deixa clara a diferença entre o valor do ser humano e o dos animais (Mt 12:11, 12; 10:29, 31), o que contraria a ideia de equiparação e humanização dos bichos, que muitos – inspirados no evolucionismo – propõem.
 
Fontes: The Hindu American Foundation for The Humane Society of the United States (humanesociety.org); The Mary T. and Frank L. Hoffman Family Foundation (all-creatures.org); Catecismo da Igreja Católica (Loyola, 2000), “Animais”; Declarações da Igreja (CPB, 2012), “O cuidado com a criação”; David Ekkens, revista Diálogo Universitário (dialogue.adventist.org), “Animais e seres humanos: São eles iguais?” 
 

Básica

A Bíblia é confiável?

Texto Eduardo Rueda 
 
De que ela é o livro mais traduzido, vendido e lido em todo o mundo ninguém duvida. Mas será que podemos realmente confiar na Bíblia? Que razões temos para crer que ela é a Palavra de Deus e não simplesmente um livro inventado por homens? 
 
Dentre as obras literárias da Antiguidade, a Bíblia é a mais bem preservada. Embora tenha sido copiada à mão, ela resistiu ao tempo sem sofrer alterações importantes. Prova disso são os Rolos do Mar Morto e os mais de 5 mil manuscritos gregos do Novo Testamento.
 
A Bíblia está repleta de referências históricas passíveis de verificação. E cada vez mais a arqueologia tem comprovado a veracidade dos dados históricos que ela apresenta. Além disso, a Bíblia não “mascara” detalhes vergonhosos da biografia de seus personagens, como faziam as narrativas do mundo antigo.
 
Mas a particularidade que mais distingue a Bíblia das demais literaturas antigas são as profecias. Elas se cumpriram – e ainda se cumprem – com precisão incrível. O cativeiro judaico (Jr 29:10), o surgimento do rei Ciro (Is 44:24-28; 45:1, 13), a destruição de Babilônia (Is 13; 14; Jr 51), a queda da cidade de Tiro (Ez 26), a sucessão de reinos em Daniel 2 e as dezenas de detalhes relativos à vinda do Messias são apenas alguns exemplos. 
 
Embora a Bíblia não seja um livro de ciências, ela contém verdades científicas muito avançadas para seu tempo. Muitos de seus conceitos são tão atuais que parecem ter sido escritos ontem, como, por exemplo, as leis de saúde do Antigo Testamento e sua preocupação com o meio ambiente (Lv 11; 25:1-7; 17:10-14; Dt 23:12, 13; Ap 11:18). 
 
Outra característica marcante do livro sagrado é sua unidade literária. Apesar de ter sido escrita por cerca de 40 autores, de diferentes épocas e culturas, num período de aproximadamente 1.600 anos, a Bíblia não apresenta contradições essenciais em sua doutrina, sugerindo a existência de um só Autor.
 
Em todo o mundo, milhões de pessoas tiveram sua vida transformada pela influência das Sagradas Escrituras. Essa característica, muito mais do que as outras, revela o caráter singular desse Livro.  
 
Fontes: Richard M. Davidson em A Lógica da Fé (CPB, 2014), “Quão confiável é a Bíblia?”; Adolfo Semo Suárez, Marcos De Benedicto, Rodrigo P. Silva, O Livro dos Livros (material didático de Ensino Religioso, CPB); Ralph O. Muncaster, Examine as Evidências (CPAD, 2011), 267-295.
 

Curiosa

A história do casamento

Texto Eduardo Rueda
 
Vestido branco, véu, grinalda, buquê, alianças... A cerimônia de casamento, como conhecemos hoje, não é muito antiga. Ela remonta ao século 19, com a rainha Vitória, da Inglaterra. Foi Vitória quem inaugurou o visual de noiva mais usado até hoje e tornou popular a famosa marcha nupcial, composta por Felix Mendelssohn. 
 
Na Idade Antiga, o casamento era visto como um acordo formal entre o noivo e o pai da noiva, que recebia do futuro genro o pagamento de um dote. Durante a Idade Média, a união conjugal passou a ser considerada pelo catolicismo um sacramento, cuja função básica era ligar duas famílias e gerar herdeiros. 
 
Na Bíblia, o matrimônio é considerado uma instituição estabelecida por Deus (Gn 1:27, 28; 2:18, 24). Sua finalidade é o companheirismo, o refúgio familiar, a intimidade sexual e a geração de filhos. A base do matrimônio bíblico é o amor, cujo parâmetro é o próprio Deus (Ef 5:25). Práticas como a poligamia e o divórcio, apesar de terem sido muitas vezes toleradas, não são o ideal divino para o casamento (Lv 18:18; Mt 19:3-9).
 
Embora a Bíblia não prescreva uma cerimônia de casamento modelo, há nela vários indícios de uma formalização do compromisso. Celebrava-se um noivado, no qual o casal jurava fidelidade um ao outro (Mt 1:18; Lc 1:27; Dt 22:23-27). O casamento era comemorado com festas que podiam durar até uma semana (Jo 2:1-10). E somente após a cerimônia, os cônjuges podiam ter sua primeira relação sexual, representando a consumação da união e o fim das festividades.
 
Fontes: Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (CPB, 2011), p. 804-808, 823-825; Thays Barbosa L. Araújo, Casamento contemporâneo: um olhar clínico sobre os laços conjugais (Universidade Positivo, 2006); blog denoivaamae.com; Eliandro Niderstrasser, “Legalização do casamento”, Revista Adventista, maio de 2013, p. 22.
 

Tudo ligado

Do trabalho ao agasalho

Texto Eduardo Rueda
 
Trabalho
Começou no Éden, quando Deus deu a Adão a tarefa de cuidar do jardim (Gn 2:15). A princípio, o homem trabalhava apenas para suprir suas necessidades, mas com o passar do tempo, o trabalho se tornou moeda de troca, sendo recompensado com mercadorias. Mais tarde surgiram tipos sub-humanos de trabalho, como a escravidão e os serviços forçados nos campos de concentração...  
 
Nazistas
Eram os adeptos do nazismo, ideologia formulada pelo ditador alemão Adolf Hitler, que defendia a superioridade da raça ariana e afirmava que “raças inferiores” deviam ser exterminadas. O regime nazista foi responsável pela morte de milhões de judeus, comunistas, homossexuais, negros e outros grupos. Um fator determinante para a derrota do exército de Hitler na batalha de Stalingrado foi o rigoroso inverno da...  
 
Rússia
É o maior país do mundo, e sua extensão territorial é duas vezes o tamanho do Brasil. Os russos utilizam o alfabeto cilírico (кириллица), comem pão de centeio e comemoram o Natal no dia 7 de janeiro. A Rússia abriga a maior floresta do mundo – a taiga siberiana, formada basicamente por coníferas (pinheiros). O inverno lá é “de matar”, chegando a mínimas que variam de -20ºC a -40ºC. Com tanto frio assim, haja...
 
Agasalho
Indispensável em qualquer guarda-roupa, ele tem a função de conservar o calor do corpo e proteger de baixas temperaturas, mas também tem sido usado por questões sociais, culturais e estéticas. Todos os anos milhares de famílias carentes são beneficiadas pela Campanha do Agasalho, realizada em várias regiões do país. Menos frio que as florestas russas e a crueldade nazista, o inverno brasileiro não deixa de fazer suas vítimas: até 130 pessoas por ano. Culpa de quem tem agasalhos sobrando, mas não se dá ao trabalho de doar!

 

Autor: Eduardo Rueda - Publicado em: 03/04/2014 - Fonte: